31 de jul de 2010

O Leitor





O LEITOR - BERNARD SCHLINK

Este foi um livro difícil de escolher porque, normalmente, quando gosto de um filme e sei que é adaptação de um livro, corro para a livraria para ler o livro. Afinal, geralmente os livros são melhores. E quando leio um livro que se torna um filme, corro na locadora para ver a versão. Sou aficcionada em livros e filmes. Minha coleção dos dois é parelha (acho que tenho mais filmes atualmente e não são piratas).

Mas O Leitor me foi recomendado por um colega de profissão. Ele viu o filme e gostou e como sempre trocamos impressões sobre filmes, eu decidi ver o filme. Acreditem, eu ainda não vi o filme. Parece uma sina, mas nunca está na locadora.

Então resolvi incluir o livro no Desafio Literário. E, devo admitir que levei muito tempo para lê-lo. Mas a culpa foi minha e não da história. Primeiro faltou tempo, depois faltou ânimo (afinal a história é triste e eu estava meio deprimida nas últimas semanas), mas a história é rica de detalhes, sensível e muito boa mesmo.
Não sei dizer se o filme está a altura do livro, mas o que posso dizer é que gosto muito da Kate Winslet e ela não deve ter ganho o Oscar à toa.

O que é interessante saber sobre o autor, antes de ler a obra, é que Bernard Schlink é de formação jurídica. Ele é professor de direito e juiz. Isto diz muito sobre os detalhes do livro.
Michael e Hannah tem uma relação amorosa delicada e cheia de sensibilidade. Ele é um jovem de 15 anos, ela uma mulher madura com 20 anos a mais. Seus encontros são recheados da leitura de clássicos e de amor. É quase como um cerimonial: ler e se amar. Então Hannah some sem deixar rastros e Michael conforma-se com o fato.

Sete anos depois, ele, um estudante de direito, é chamado a participar de um julgamento de criminosos nazistas e descobre entre os criminosos Hannah, sua antiga amante, seu amor. A história passa então a ser uma discussão jurídica e moral. Com Michael entre a culpa, o horror e a piedade (amor?) e Hannah que esconde um segredo que poderia liberá-la da prisão.




Não há árvores. O dia está completamente claro, o sol brilha, o ar vibra, e a rua cintila de calor. As paredes mestras fazem a casa parecer dividida, insuficiente. Poderiam ser as paredes mestras de qualquer casa. O prédio não é mais sombrio do que na Bahnhofstrasse. Mas as janelas estão totalmente 


empoeiradas e não deixam que se reconheça nada nos aposentos, nem mesmo cortinas. O prédio é cego. Paro na beira da rua e caminho até a entrada. Não se vê 


ninguém, não se ouve nada, nem mesmo um motor distante, um vento, um pássaro. O mundo está morto. Subo os degraus e toco a campainha. 

Mas não abro a porta. Acordo e sei apenas que encostei a mão na campainha e a toquei. Então me vem à lembrança o sonho todo e também o fato de eu já tê-lo sonhado.



“Queríamos abrir as janelas, deixar entrar o ar, o vento que finalmente faria redemoinhar o pó que a sociedade deixara acumular sobre os horrores do passado. Iríamos zelar para que se pudesse respirar e ver. (…) Quem estava a ser julgada naquele tribunal era a geração que se serviu dos guardas e dos esbirros, ou que não os impediu, ou que pelo menos não os marginalizou como deveria ter feito depois de 1945. E o nosso processo de revisão e esclarecimento pretendia ser a condenação dessa geração à vergonha eterna”.


Como vocês podem ver, o autor tem o dom da palavra. Recomendo o Livro e muito! Mas saibam que o tema é pesado e pode deprimir um pouco :-)


Preparem o lenço

2 comentários:

Vivi disse...

Boa escolha, Medéia!
Também sou da opinião que leitura é estado de ânimo e espírito. Há certas leituras as quais precisamos de uma boa dose de energia vital para apreciá-las. E no afã da vida diária, nem sempre conseguimos a serenidade que uma boa leitura requer. No seu caso, vejo que você tem uma boa experiência e competência leitora por crédito. De modo que tira de letra qualquer percalço. Continue assim, garotinha. Dá gosto de ver.

Beijocas

Sweet-Lemmon disse...

Honestamente, esse livro nunca me atraiu- vi o filme mas só por causa da Kate- Tô meio cansada dessa temática 2 Guerra, sabe? Mas achei a sua resenha muito boa- deu até uma cocerinha para ler.