8 de jan de 2010

O Rapto - Georgina Devon

Meu primeiro livro do Desafio Literário!
Janeiro é o mês do livros de banca, então resolvi escolher algum que fosse histórico. Gosto muito de romances históricos que se passam na gloriosa época em que mulheres vestem vestidos pomposos, freqüentam bailes elegantes e jogam com os homens um jogo de sedução fantástica onde mais escondem do que mostram. Gosto de mocinhas corajosas e destemidas em uma época em que a mulher não pode falar ou agir como quiser. E de mocinhos que pareçam maus, mas que tem justificativa para seus atos aparentemente ruins.
Por isto escolhi este. E o título ajudou na escolha. Fiquei imaginando o rapto.
Não li nenhum resumo antes de começar a leitura, queria estar na expectativa.

Lilith e Perth formam o casal principal desta história. Eles tiveram um romance quando jovens e estiveram a ponto de se casar. Mas para salvar a família, em especial seu irmão Mathias que é viciado em jogo, Lilith deixa Perth no altar e casa-se com um nobre rico. Agora, dez anos depois, ela é uma viúva rica e Perth também é um rico nobre. Ele então resolve raptá-la: talvez para puni-la ou talvez para mostrar a ela o quanto ele ainda mexe com ela. 

Vai o início para vocês lerem...

- Levante e renda-se!








Lillith, Lady de Lisle, reconheceu a voz imediatamente. Jason Beaumair, Conde de Perth. Ela não precisou olhar através da janela da carruagem para visualizá-lo. Taciturno, com frisas prateadas
nas têmporas e cabelo da cor do ébano, ele assombrava os seus sonhos. Uma cicatriz, adquirida em um duelo pela esposa de outro homem, recobria a face esquerda. Ela foi - ou era - tal esposa.
Um calafrio de premonição deslizou espinha abaixo. O que pretendia ele, ao deter a sua carruagem aqui em Hounslow Heath? Decerto não precisava das jóias dela. Era tão abastado quanto um sultão. Que jogo arriscado jogava o conde.
- Ei, cocheiro - ordenou a imperiosa voz de barítono de Perth -, desça com as mãos ao alto e vazias. E você... isto mesmo, você - acrescentou enfático para o único pajem -, largue a pistola ou o cocheiro pagará por seus atos.
Lillith entreabriu a cortina de veludo a tempo de ver o pajem largar a pistola. Perth assentava-se tranqüilo sobre um cavalo magnífico, um revólver em cada mão apontado para o cocheiro. Só mesmo o conde para reconhecer bons cavalos e não se importar com quem mais soubesse que o animal que montava era demasiado elegante para um salteador.
Ao menos, o sujeito usava uma máscara para cobrir o rosto. Acaso a sociedade ouvisse rumores da sua mais recente peripécia envolvendo-a, todos os escândalos de outrora seriam reavivados. Ela não tinha certeza se a própria reputação lograria resistir a outro assalto do conde. A única coisa que preservou seu bom nome da última vez foi a posição social do marido. Ninguém ofendeu De Lisle deliberadamente: o homem conhecia gente demais na corte. Entretanto, como viúva, ela não mais contava com a proteção do marido falecido. E Deus sabe que, se o irmão dela tentasse preservar seu bom nome, ambos seriam escorraçados de Londres sob gargalhadas.
- Você, dentro do veículo - ordenou a voz lânguida de Perth -, saia e fique onde eu possa ver melhor o resultado da minha ação.Ele permanecia arrogante como sempre. Era seu maior defeito e seu maior charme. Ela frustrou-o apenas uma única vez na vida e passou um longo tempo arrependida.
Com um suspiro e um sorriso sutil curvando-lhe os lábios, ela apertou a capa para proteger-se da friagem noturna e desceu. O verão há muito se fora. Uma brisa gélida fustigou os cabelos louros platinados, desfazendo os cachos intrincados nos quais a ama passou tantas horas caprichando. Os pés calçados em babuchas afundaram na grama úmida. O couro fino ficaria manchado. Não importava. Um par de babuchas arruinadas não significava nada. Uma grande fortuna foi o único benefício que ela recebeu por desposar De Lisle.
Ela fez uma mesura brejeira, sem jamais desviar o olhar da fisionomia arrogante de Perth. Ele lançou-lhe um sorriso sinistro, os majestosos dentes brancos reluzentes sob a luz pálida da lua cheia. Houve uma época em que aquela expressão no rosto dele a assustava. Agora a excitava. Ela era uma criança na primeira vez em que o enfrentou, ignorante e facilmente manipulada pela família. Era uma mulher agora, pronta para ele. Os olhos dele cintilaram.
- Venha cá.
Ela retribuiu o olhar sem titubear.
- Acho melhor não.






No início a leitura foi relativamente devagar. O rapto é o ponto de partida da história, e normalmente pareceria romântico ou algo assim. Mas eu não entendi a moral do mesmo. Perth rapta Lilith, que obviamente fez primeiro aquele jogo de “não, por favor” mesmo tendo reconhecido (ele estava de máscara) a voz do seu antigo amor. Ela implora que ele não faça isto, que preserve sua moral, tenta fugir, se machuca, ele cuida dela, blá, blá, blá.


Então ele a leva para um lugar distante onde estão só os dois e um “criado/amigo” de confiança e diz a ela que ninguém vai desconfiar, que a moral dela será preservada porque seu irmão Mathias não deixará ninguém saber e por aí vai.


Mas o que eu não gostei neste início (é minha gente, é só o início) é que ele não explica o porque do rapto. Se é vingança por ela tê-lo deixado literalmente no altar, se é uma forma de aproximar os dois, sei lá.

Eles ficam neste jogo de não contar o que sentem um pelo outro e tem tórridas noites após um jogo de “não quero”, “mas eu quero”.

Ele então a pede em casamento e ela recusa porque acha que ele não a ama e que só quer ficar com ela porque ela pode estar grávida.

A história melhora um pouco a partir do momento em que ele deixa ir.

O irmão dela é o mau caráter da história e faz a coisa ficar um pouco menos morna.

No geral, a título de diversão uma vez que estou em férias, foi um bom passatempo ler, mas não me cativou completamente. Esperava algo mais intrigante, com mais enredo e teias envolvendo esta história.

Esperava uma mocinha mais destemida e um mocinho mais objetivo. E, é claro, uma intriga enorme que levasse a história a um suspense maior.

Você não tem nada para ler e uma tarde livre? Até dá para querer, mas se tiver outro livro, deixa este para o fim da pilha.

Eu com certeza faria a mocinha sofrer mais e lutar mais pelo mocinho. Não tinha nem mesmo uma rival maligna que fosse cúmplice do irmão almofadinha e aproveitador.

18 comentários:

Lili disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lili disse...

Que bela resenha Medéia! Vc acredita que eu abandonei esse livro, logo no início???? Então, me identifiquei muito com o que vc escreveu rsrsrs
Vou pegar de novo o livro e ler...
Parabéns pelo post!!!

Beijossss
Lili

disse...

Oi Medéia!

Olha eu aqui.
Bom, gostei da sua sinceridade em dizer que o livro não a cativou.
O legal é manifestar o quanto a leitura do livro foi agradável ou não.
Bom, eu também não gosto de livros em que a mocinha é, como eu diria, "songa monga". Acho uma chatice, só!
Pelo seu comentário, eu passarei longe desse livro. Não fica nem no final da fila.

Bjs e aguardo mais resenhas.

Vivi disse...

De mocinha boboca eu corro mesmo. Não dá! E a julgar pelo seu comentário e o da Lili, essa leitura eu passo. Medéia, amiga, obrigada por participar do desafio! E que em Fevereiro bons ventos literários cheguem até você, my dear!

Beijos

PS: Vou divulgar sua resenha no autolink do blog oficial, tá?

Laís Doce disse...

Acho que é tendência desse gênero de leitura ser mais devagar e leve...apesar que tem uns que são beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem HOT!!! rs
Boa leitura em fevereiro!! bjs

Tonks71 disse...

Medéia e Lili, eu tive o mesmo problema. Sabe que fiquei com a impressão que cortaram trechos do início o que não me surpreenderia.

No jargão que as meninas adoram usar eu achei meia boca.rsrsrsrs

bjos

Adrianne Ogêda disse...

O bacana do desafio porque a gente também fica sabendo o QUE NÃO LER. Me diverti com sua resenha,sobretudo quando você disse que a mocinha não tinha nem uma rival maligna. Muito bom!

Aline Maziero disse...

Medéia,
acho que nempra todos as leituras do desafio vão ser sempre boas,né? Janeiro era o mês mais dificil pra mim, e assim como vc, peguei um romance hhistórico e apesar do dito livro ser bonzinho, achei a mcinha apagada demais. Ótima resenha! Beijo

Kézia Lôbo disse...

O primeiro desafio está sendo bem legal, apesar de nao ter postado um de banca comum e li dois nesse mês, e realmente pra mim desafio vai ser ler um classico mundial, nao sei se o que eu peguei vai ser legal...
Adorei a resenha e a critica...
PArabens

Natália Alexandre disse...

Medéia, rsrs, malvadinha c o mocinho heins?? "Eu com certeza faria a mocinha sofrer mais e lutar mais pelo mocinho. Não tinha nem mesmo uma rival maligna que fosse cúmplice do irmão almofadinha e aproveitador."

kkk, adorei! Acho q os livros tem q nos proporcionar essas coisas, :raiva, choro... ao menos os bons, mesmo q os q nao gostamos.

bjss

Laura Schwartz disse...

Gostei da resenha, seguindo por ela acho que este livro não me impressionaria muito. Achei um pouco sem pé nem cabeça, mas imagino que assim mesmo seja dos romances que fazem o tempo passar, e isso é sempre bacana.

Bjo.

Larissa, Lara, Lalá, .... disse...

Tudo no livro conspirava para ser bem interessante. Eu gostei da capa, que pena que nao empolgou. Beijos

Náh disse...

Olá, Medéia!
Adorei seu cantinho e a resenha!
Vou seguir!
Beijos,
Náh

Nanda disse...

Ei Medeia,
Gostei da resenha bem escrita e sincera.
Eu pessoalmente não gosto muito de romances de banca, pelo final sempre previsivel e cheio de cliches.
Fugi um pouco do tema na escolha do meu rs
bjoo

Cíntia Mara disse...

Oi!

Muito boa sua resenha. A sinopse do livro é instigante, parece ser uma história com bastante ação. É uma pena que não tenha te cativado.

Bjs

Elisandra disse...

Concordo plenamente histórias mornas não tão com nada, sem emoção o livro é simplesmente palavras, agora quando a muito disto a história vira imagens na mente e voce le tudo de uma vez. Adorei seus comentários sinceros e objetivos. Parabéns por eles e pelo blog...bjus elis!!!!!!

Cris Costa disse...

Medéia,

Romances de banca são sempre um problema, pois alguns parecem que foram escritos em 5 minutos pela autor(a), pois não se sente a emoção nos personagens e alguns acabam sem pé nem cabeça...
Estou adorando seus posts...
Bjs

Mi Müller disse...

Olá Medéia!
Bela resenha, bem completa e pessoal! Parabéns.
estrelinhas coloridas...