16 de fev de 2011

O Voo de Icarus

O Voo de Icarus
Estevan Lutz
Novo Século – Novos Talentos da Literatura Brasileira
240 páginas

Num futuro próximo, na cidade marítima de Agartha, a vida do jovem Icarus oscila entre dois vícios: a realidade virtual e uma droga alucinógena denominada nirvana. Em busca de tratamento médico, ele acaba se tornando voluntário para a experimentação de um avançado medicamento baseado na nanotecnologia, o Sinaptek, o qual, posteriormente, lhe causa uma extraordinária reação adversa: a projeção de sua consciência, o que lhe permite viajar por diversos lugares do planeta e para outros mundos, empreendendo uma jornada do centro do universo ao centro da inconsciência humana. Estaria tudo, apenas, na mente de Icarus?


Surpresa boa! Um bom livro de ficção de um autor brasileiro, comparável a clássicos como Admirável Mundo Novo ou obras de Asimov (sem robôs).

Mais surpresa eu fiquei depois que Estevan ofertou o livro e descobri que somos quase vizinhos. E olha que não moro em uma metrópole.

Estevan Lutz é gaúcho, de São Sebastião do Caí e trabalha como projetista elétrico industrial, mas (assim como muitos de nós) consagra-se a literatura nas horas vagas

Em um futuro não tão distante, mas com um cenário totalmente futurista e mesmo assim plausível, Icarus é um brasileiro que vive na cidade de Agartha (no Golfo Pérsico), trabalhando para a empresa Holocorp. A empresa produz cenários virtuais para jogos e hologramas e Icarus realiza para eles serviços de textura e acabamentos. A realidade virtual é fato nesta segunda metade do século 21 e muitas pessoas são viciadas em jogos eletrônicos que os levam para dentro do jogo com o auxílio de aparelhos como óculos de projeção, transmissores de cheiro, luvas sensoriais, fones de ouvido e até simuladores de deslocamento. E Icarus é uma destas pessoas.

Além do vício em jogos, existe uma droga alucinógena ilegal (nirvana) que é consumida naturalmente entre as pessoas e nosso herói é também viciado nela. De cara percebe-se que os dois vícios de Icarus o isolam cada vez mais da sociedade o fazendo viver em um mundo paralelo dentro dos jogos e sob o efeito do nirvana (sugestivo o nome, né?).

Ceres, colega de trabalho e ex-amante amiga é uma espécie de conselheira de Icarus e o ajuda a decidir procurar um médico quando ele começa a ter sintomas do excesso de utilização do ambiente virtual. Não os nomes mitológicos não são por acaso, pelo menos assim creio. Ceres era a Deusa Romana do Amor Maternal e das plantas que brotam e Ícaro é aquele das asas de cera que tinha o sonho de voar próximo ao sol e por chegar muito perto acabou caindo. Tem até um personagem chamado Linus (seria Linus Pauling, Linus Torvald ou o amigo de Charlie Brown... eh eh eh).

A história é muito cheia de símbolos e com uma linguagem muito tecno-futurista, por isto lembrei-me frequentemente de Huxley, Asimov e de Matrix.

Mas voltando à história, Icarus procura então o Doutor Voga que o submete a um teste experimental com uma droga chamada Sinaptek. O teste funciona, mas como efeito colateral Icarus projeta sua consciência fora do corpo e vivencia experiências transcedentais.

Aí é que tudo fica muito curioso, pois não sabemos se é apenas um sonho na mente de Icarus ou se tudo está realmente acontecendo. A realidade era o mundo de Icarus antes, ou é agora sob o efeito do Sinaptek?

Só lendo para vivenciar esta experiência de descobrir a ficção científica de um ótimo autor brasileiro. Nem só de estrangeiros é feita a boa literatura, viu? 

Parabéns a Editora Novo Século por trazer Novos Talentos brasileiros para a literatura publicada. Recomendo muito a leitura!

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